domingo, 31 de julho de 2011

Dependência química é uma roleta russa

Por: Cleide Magalhães

Reportagem exclusiva publicada nos jornais Amazônia e O Liberal, 31/07/2011

Especialista e usuários falam dos efeitos da droga no cérebro

A morte da polêmica cantora britânica Amy Winehouse, 27, que lutava há anos contra as drogas, serve de alerta a todas as pessoas. Como explica o psiquiatra Efraim Teixeira, as drogas são substâncias psicoativas que estimulam o cérebro humano ao ativar uma estrutura chamada sistema de recompensa, responsável pela sensação de prazer.

"Quando realizamos alguma atividade que nos traz prazer, essa área libera uma substância denominada dopamina, importante neurotransmissor no cérebro. Para diversas atividades que realizamos há todo um processo preparatório para que seja estimulado o sistema de recompensa. Mas no caso da droga, ela vai ao cérebro, estimula diretamente o sistema de recompensa e, em poucos segundos, provoca a liberação de dopamina, corrompendo-o totalmente. Então, o cérebro aprende a sentir prazer somente com a droga, que libera dopamina facilmente, pulando todas as etapas. Os pacientes, quando estão em estágio mais grave, param até de se alimentar", afirma.

Isso faz com que o indivíduo perca o prazer com as atividades que antes sentia vontade de fazer, como estar com a família, trabalhar, estudar, namorar. Dependendo da droga, o sistema de recompensa vai ser estimulado mais rápida ou lentamente. Os casos mais graves envolvem o crack e o óxi, que estimulam o sistema de recompensa em poucos segundos.

"Essas drogas têm poder de causar dependência muito mais rápido e a duração do estímulo no cérebro é muito curta. Rapidamente, a pessoa tem que estimular de novo o cérebro para se livrar dos sintomas de abstinência, momento quando passam os efeitos da droga, que também são graves. Aí, tem que acender mais uma pedra da droga, logo em seguida mais outras e assim por diante, se tornando cada vez mais dependente. É possível que em poucas semanas a pessoa fique dependente dessas drogas", alerta.

Na opinião do psiquiatra, o que leva uma pessoa a consumir drogas é, principalmente, a curiosidade na adolescência. A maioria das experiências ocorre quando o jovem está com amigos e em festas. "Há casos em que a pessoa começou a usar logo droga pesada, como a cocaína. Mas, normalmente, inicia com o consumo do álcool e depois experimenta as drogas ilícitas. Embora o álcool seja uma droga legalizada, ainda é um grande vilão, pois acaba levando as pessoas para as outras drogas", considera.

Influência de terceiros forçou uso de maconha, cocaína e crack

O início da adolescência marcou a vida de Waldinei Teixeira, que tem 43 anos e consumiu drogas durante 27. "Desde criança meu pai já me levava para o bar onde ele bebia e este passou a ser um espaço de satisfação para mim. Depois, aos 13 anos, um tio me influenciou a usar cigarro e álcool. Ainda na adolescência sofri influência de outras pessoas e para não me sentir excluído do grupo passei a usar maconha, cocaína, crack, este durante os últimos seis anos".

Devido às drogas, Waldinei afirma que praticamente perdeu a vida social. "Quando consumia, perdia completamente o interesse pelo estudo, emprego e muitas outras coisas, porque a doença se instala, a pessoa vive para usar, se isola da sociedade e não se identifica com ninguém, só com a droga", disse.

Em 2008 ele buscou ajuda no Centro Nova Vida, organização não governamental localizada em Ananindeua, que em duas décadas já atendeu mais de oito mil pessoas. Atualmente, a instituição trabalha na recuperação de 28 dependentes químicos, dos quais a maior parte teve o crack e óxi como drogas consumidas recentemente. "Aqui tive consciência, admiti o problema, resgatei a minha vida e passei a confiar em mim", diz Waldinei.

O presidente do Centro Nova Vida, Luiz Veiga, 69 anos, é um dos exemplos de luta contra as drogas no Estado. Ele foi usuário dos 13 aos 48 anos. "Tenho a consciência de que preciso continuar meu tratamento para o resto da vida. Sei que sou uma pessoa depressiva, por isso tenho que manter sempre minha espiritualidade. O apoio familiar é fundamental e os familiares de nossos pacientes recebem acompanhamento para saber lidar com eles", afirma Veiga.

Quem tem familiares viciados corre mais riscos de repetir padrão

Além da curiosidade, há pessoas que não conseguem administrar problemas ou perdas de forma saudável e acabam procurando as drogas para suprir alguma carência. "Há situações em que a pessoa tem uma perda, alteração de humor, tristeza, problemas familiares, que pode trazer desde a infância, e busca compensar o problema com um estímulo que lhe traga prazer, e as drogas se encaixam bem nisso", afirma Efraim Teixeira.

Quem tem familiares dependentes de drogas conta com maior chance de se tornar um deles. A causa genética é um fator importante, mas não determina se uma pessoa será ou não dependente de drogas. "Quem tem parente que tem dependência química precisa tomar mais cuidado com essas substâncias, entretanto, ser ou não usuário depende de fatores que envolvem a personalidade da pessoa, aparelho psicológico, estrutura familiar e motivação pessoal - a mais importante de todas", esclarece o psiquiatra.

No contexto dos entorpecentes, uma das maiores polêmicas é a discussão a respeito da classificação ou não da maconha como droga. O psiquiatra explica que a maconha é uma droga, causa dependência química e, dentre todas as drogas, é a que mais provoca esquizofrenia, doença mental extremamente grave e crônica que leva a pessoa a ouvir vozes, ter alucinações e sensação de perseguição. "Está comprovado cientificamente que a maconha é uma das drogas que mais leva à esquizofrenia. A maconha, de inocente, não tem nada. Há muito desconhecimento sobre ela".

Consumo precoce, tratamento difícil

Efraim Teixeira alerta que quanto mais precoce é o consumo, mais difícil é o tratamento, porque a dependência torna-se grave. "O tratamento com as drogas é relativo e com crack e óxi é bem mais difícil. Porém, depende de fatores que não envolvem somente a substância em si, mas fatores determinantes mencionados. O apoio familiar é fundamental, mas o indivíduo precisa ter motivação. Se ele não a tiver, há técnicas adequadas para trabalhá-la".

O tratamento mais eficaz deve ser multiprofissional, isto é, envolvendo assistentes sociais, enfermeiros, farmacêuticos, médicos clínicos, psicólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais da área da saúde. Na equipe, o psiquiatra é quem pode garantir o suporte médico. "Muitas vezes, é preciso fazer psicoterapia para aprender a lidar com situações em que a pessoa não consegue superar e acaba sofrendo com a droga", detalha.

Controle - A dependência química é uma das mais graves doenças mentais crônicas, e para ela ainda não existe cura. Mas, diferente de algumas doenças mentais, é possível superar. "Não existe cura, mas há controle. O dependente químico precisa sempre ter a consciência de que não poderá mais utilizar a substância devido ao risco de voltar a sofrer os sintomas e o quadro que apresentava".

Relação "normal" com o entorpecente não é para qualquer um

Mudanças no comportamento podem ser observadas em vários estágios do consumo de drogas. "Quando a pessoa ainda não está dependente é mais difícil de perceber. No caso do adolescente, porém, ele começa a tirar notas baixas na escola, de uma pessoa dócil passa a ser agressiva e se irrita com qualquer coisa; passa noite na rua sem autorização, fica desobediente", diz Efraim Teixeira. Essas são algumas características que também podem estar relacionadas à depressão. Por isso, ao percebê-la, é importante procurar ajuda de psicólogo ou psiquiatra. As diferenças no aspecto físico, como desnutrição e emagrecimento, são mais presentes nas pessoas que estão em fase mais avançada da dependência de entorpecentes.

Ao consumir drogas, qualquer pessoa corre grande risco de passar a ser dependente, especialmente a partir do momento em que a relação entre indivíduo e substância psicoativa torna-se prejudicial para ele. Quando isso ocorre, é hora de procurar tratamento. "Há pessoas que se envolvem com a droga de forma ‘recreativa’ e levam uma vida ‘normal’, mas há um grande percentual que se torna dependente. É como se a pessoa utilizasse uma roleta russa: não tem como saber se ela vai ou não tornar-se dependente. Ao consumir já existe grande risco", destaca o psiquiatra.

Endereços e telefones úteis

- Centro de Atenção Psicossocial à Saúde do Usuário de Álcool e Outras Drogas (Casa AD), da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Localizada na avenida Almirante Barroso, 2362, no Marco. Telefone: (91) 3276-0890.

- Centro de Cuidados de Dependentes Químicos, da Secretaria Executiva de Saúde do Estado (Sespa). Localizada na travessa WE 2, 451, conjunto Cohab, gleba I, na Marambaia. Telefones: (91) 3231-4443 e 3231-1481. E-mail: ccdq@sespa.pa.gov.

- Centro Nova Vida, localizado na estrada Santana do Aurá, travessa 10, casa 2, em Ananindeua. Telefone: (91) 3265-1258. E-mail: novavida@amazon.com.br.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cineasta paraense lança filme sobre Revolução Cabana

Depois de escrever e dirigir os longa-metragens Ajuê São Benedito, que trata da temática do trabalho escravo nos seringais da Amazônia, e o Ajuntador de Cacos, retratando a fé e a dedicação do padre Giovanni Gallo, fundador do Museu do Marajó, em Cachoeira do Arari, no Pará, o cineasta, diretor e roteirista Paulo Miranda lança neste sábado, 30 de julho, no Ginásio Municipal de Barcarena, a partir das 19 horas, o filme O Cônego – Senderos da Cabanagem, da produtora Lux Amazônia.


Paulo Miranda explica que o filme é uma ficção inspirada em fatos históricos e conta a experiência vivida pelo Cônego Batista Campos no período anterior à Revolução Cabana, que teve como desfecho a tomada de Belém em 7 de janeiro de 1835. O Cônego é o primeiro longa-metragem de ficção do cineasta sobre a temática da Revolução Cabana. “Como obra pioneira, não busca abarcar todo o movimento cabano, mas se pauta na trajetória de uma de suas mais influentes lideranças: o Cônego Batista Campos, o homem místico, militante político e intelectual a serviço da gente mais simples do Grão-Pará”, detalha o diretor.


O cineasta diz que embora tenha seu nome emprestado a um dos logradouros mais importantes da capital paraense, a Praça Batista Campos, o religioso ainda é um ilustre desconhecido até mesmo entre os estudantes. “Com o filme O Cônego – Senderos da Cabanagem, a produtora Lux Amazônia e seus parceiros querem contribuir para que este e outros personagens cabanos saiam do esquecimento a que estão relegados. O cinema tem este papel de resgatar a história e trazer à luz dos dias atuais os acontecimentos da Cabanagem”, diz Paulo Miranda.


O Pará aderiu tardiamente à Independência do Brasil em relação à Portugal, proclamada em 1822. Porém, a adesão do Pará à Independência em agosto de 1823 não representou sua emancipação política, mantendo-se inalterado o domínio colonial. O movimento cabano foi uma revolução popular que buscava pôr fim ao jugo do império português.


O diretor afirma que o cinema nacional ganha mais um trabalho com a cara e o sotaque amazônico. “Se antes a luta era por liberdade, autodeterminação política e econômica, hoje assume também uma importância cultural e artística, principalmente num tempo de globalização e otimização dos vários processos e meios de comunicação”, diz.


De acordo com dados do livro Memorial da Cabanagem, do historiador paraense Vicente Salles, que analisa a Revolução Cabana, um dos marcos fundamentais do período é o debate sobre as idéias republicanas em contraponto com os interesses imperiais da Coroa Portuguesa. Em sua obra, o historiador esboça a história do pensamento político-revolucionário do Grão-Pará. “Em tese, este é o pensamento das classes oprimidas, que se exprime principalmente no esforço de sacudir o jugo infamante. Reflete, entre nós, a luta pela cidadania em que tanto se empenharam índios e negros, solidários nas mesmas vicissitudes pela condição de servos e escravos, na sociedade modelada pelo colonizador europeu que a eles se opunha”, argumenta Vicente Salles.


O historiador acentua que “em toda a parte as relações entre dominadores e dominados suscitaram reflexões e, por vezes, pronunciamentos vigorosos dos humanistas, casta de indivíduos que consideram o Homem a principal peça da história. Também, aqui na Amazônia, ecoaram as vozes dos humanistas, dos que aspiram melhor e mais justa organização da sociedade”, acentua.


O Cônego - Senderos da Cabanagem foi realizado pela Lux Amazônia Filmes com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Barcarena e é fruto do projeto Filma Pará. A ação cultural integrou o poder público municipal, o empresariado e a comunidade local para viabilizar a obra cinematográfica genuinamente paraense. “Dar voz e articular coletivamente a ação interpretativa junto com a comunidade foram fatores inclusivos em todo o período da filmagem”, diz Paulo Miranda.


O projeto envolveu 30 técnicos e produtores e aproximadamente 60 atores, todos selecionados e capacitados pelo coletivo da Lux Amazônia no próprio município de Barcarena. A direção de fotografia é de Sandro Miranda. A direção de Arte é de Raimundo Matos e Sandro Miranda. A direção de Produção foi feita por Ane Viana e Eliene Ribeiro. A produção Executiva ficou a cargo de Minorose Batista, Wellington Lucas e Rutinéa Miranda.

Contato para entrevista: (91) 8267-2296 / 3086-7687

Paulo Miranda – Cineasta

Kid dos Reis - Free-Lance - 9942.1171

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Combate às pragas nas cidades

Empresas cobram entre R$ 95,00 e R$ 500,00 para limpar ambientes

Por: Cleide Magalhães

Reportagem Especial publicada no jornal Amazônia, 23/07/2011

Mosquitos, ratos, baratas, formigas e cupins são algumas pragas que atormentam moradores de áreas urbanas, oferecendo riscos à saúde e até prejuízos econômicos para muita gente. Segundo a Associação dos Controladores e Vetores e Pragas Urbanas, em São Paulo, a população de roedores é superior à humana nos grandes centros. Somente este ano, em Belém, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) já notificou 205 casos de leptospirose, dos quais 48 foram confirmados. Nove pessoas morreram.

A leptospirose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Leptospira, presente na urina do rato. Embora o poder público tente diminuir a ocorrência dos casos, por meio de ações de desratização nos espaços públicos da cidade, medidas preventivas, tratamento e combate às pragas urbanas precisam também ser aplicadas dentro dos espaços residenciais e comerciais.

Atualmente, existem em Belém e Ananindeua em torno de 15 empresas credenciadas, que fazem dedetização e desratização, atuando com medidas corretivas nos espaços residenciais e comerciais. Elas atendem à Resolução nº 52, de 22 de outubro de 2009, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde. A resolução estabelece diretrizes, definições e condições gerais para o funcionamento das empresas especializadas na prestação de serviço de controle de vetores e pragas urbanas, visando o cumprimento das boas práticas operacionais, a fim de garantir a qualidade e segurança do serviço prestado e minimizar o impacto ao meio ambiente, à saúde do consumidor e do aplicador de produtos saneantes desinfestantes.

Nas empresas regularizadas que oferecem os serviços em ambientes residenciais e comerciais os valores para matar insetos e ratos são tabelados e o orçamento leva em consideração o tamanho da área. Em apartamento, os preços variam entre R$ 95,00 e R$ 400,00. Nas casas, os valores ficam entre R$ 190,00 a R$ 500,00.

Produtos - Os produtos usados para matar as pragas urbanas são granulados e parafinados e requerem cuidados. "Depois que o cliente contacta com a gente, agendamos horário, um funcionário vai ao local, inspeciona a área, verifica se não há nenhum risco ou obstáculo e faz aplicação dos produtos. Alertamos que crianças e animais e pessoas que têm alergia só podem estar no ambiente após 24 horas. O adulto que não tiverem problema com o produto retorna após 6 horas. Durante três dias seguidos acompanhamos as ‘iscas’ colocadas no espaço", explica Ana Lobato, sócia de empresa que combate pragas.

A atividade é intensa. A empresa, que está no mercado paraense há oito anos, atende e presta assistência técnica para cerca de 60 clientes por dia, até nos finais de semana e feriados. Ao final, o cliente recebe certificado de garantia de três meses pelo serviço. "Caso haja reincidência, o funcionário da empresa retorna ao local e presta assistência técnica sem ônus", garante Ana.

Além desses produtos, os ratos são mortos também por meio de pó de contato, um tipo de talco que fica em seu pêlo depois que o animal passa pela área demarcada. "O rato possui o hábito de se lamber para se limpar. Quando se lambe entra em contato com o pó que o contamina e o leva à morte. Se outros ratos o lamberem também vão morrer", completa Ana.

Novidades - Uma das novidades no mercado, também para ajudar no controle de ratos, é a armadilha colante, que não apresenta produto químico e pode ser reutilizada. "Demarcamos a área em que o rato passa, depois colocamos placa colante em PVC, o rato é capturado, ele fica grudado e não consegue sair. A placa pode ser usada de novo", ressalta Ana Lobato.

O combate às baratas e formigas também conta com serviço diferenciado. Além da aplicação de produto de forma pulverizada, existe em gel. "É excelente para nossa região, muitas pessoas contratam pela facilidade, pois não tem cheiro, a pessoa não precisa sair nem limpar o local", conta Ana. Porém, melhoria é sinônimo de valores elevados. A aplicação em apartamento custa, em média, de R$ 120,00 a R$ 600,00 e em residência varia de R$ 240,00 a R$ 800,00.

Prédio passa por serviço a cada três meses

José Reis, administrador do edifício Maison Noblesse, no Umarizal, área nobre de Belém, ressalta a importância do serviço de dedetização e desratização. "Há sempre no prédio incidência de baratas e ratos vindos das ruas, esgotos e bueiros. Algumas baratas pequenas vêm dentro das caixas de compras trazidas pelos moradores do prédio e se reproduzem rápido. Para evitar a proliferação de insetos e ratos, além de evitar doenças, contratamos uma empresa que realiza, a cada três meses, dedetização e desratização na área comum do prédio. Orientamos ainda os moradores a fazerem o controle dentro dos apartamentos e, caso necessário, solicitem o serviço. Isso nos proprociona ter controle do prédio todo", disse.

Na hora de contratar o serviço para o edifício, que tem 20 andares sendo dois apartamentos em cada um deles, o administrador afirma ter cautela. "A cada seis meses fazemos novo contrato com uma empresa. Recebemos várias propostas, mas já estamos há cinco anos com a mesma porque conhecemos o serviço e levamos em conta ainda o preço de mercado. Hoje pagamos R$ 350,00 por serviço", informou José Reis.

Consumidor não deve usar produtos de forma aleatória

O veterinário Reinaldo Lima, especialista em Epidemiologia, que trabalha no Centro de Informações Toxicológicas do Hospital Universitário João de Barros Barrreto da Universidade Federal do Pará, alerta que a presença do animal na residência ou empresa já sinaliza que é preciso contê-lo, mas orienta que é importante as pessoas procurarem por um serviço especializado, que siga as normas exigidas pelos órgãos de saúde pública e não utilizar nenhum produto de forma aleatória, "o que pode ocasionar intoxicação humana leve, moderada ou grave, a qual pode levar à morte."

O tratamento e combate às pragas urbanas requer paciência e medidas básicas de higiene local. É preciso manter o ambiente limpo, sem restos de comida; consertar vazamentos; rejuntar azulejos; não acumular papéis e caixas de papelão, não abrigar entulhos no quintal e em casa; e, principalmente, redobrar o cuidado ao levar vasos e caixas para casa, que são ótimos ninhos. Esses são alguns conselhos dados pelo especialista. Outra recomendação é não enterrar madeiras e restos de materiais de construção, alimentos preferidos dos cupins.

Serviço - Para contratar o serviço de empresa privada, basta checar o contato na internet, mas não esqueça de confirmar se a empresa está credenciada na Anvisa. Caso você verifique a presença de ratos em sua rua, é possível agendamento de visita dos técnicos do Centro de Controle de Zoonoses para realizarem, gratuitamente, a desratização. Os telefones são: 91 - 3227-2088 e 3247-3001. ]Quem tiver contato com algum produto usado na dedetização e desratização de animais e passar mal, pode acionar o Centro de Informações Toxicológicas, pelo telefone 0800 722 6001, e receber orientações sobre como melhor proceder.

Compra de veículo pede cautela

Todo cuidado é pouco, segundo o Conselho Regional de Economia do Pará, na hora de adquirir um veículo

Por: Cleide Magalhães

Reportagem Especial publicada no jornal Amazônia, 23/07/2011

Em meados de 2010, o Departamento de Trânsito do Pará (Detran) previa que o crescimento da frota de veículos novos e usados, fabricados entre os anos de 2003 e 2021, será em torno de 6 milhões registrados circulando no Pará, dos quais 1,6 milhão somente na Região Metropolitana de Belém (RMB). Atualmente, há estimativas que a frota de veículos no Estado corresponde a quase um milhão de veículos sendo quase 290 mil na capital.

A previsão gera preocupação em diversas áreas. Uma delas é a econômica. Por isso, quem decidir comprar um veículo, seja ele novo ou usado, deve ter atenção redobrada antes de fechar negócio. Além da aparência e da mecânica, é preciso ter uma atenção especial com a documentação do veículo, formas de financiamento, impostos e taxa de juros para não tornar o sonho um pesadelo e evitar com que conflitos originem-se após a conclusão do negócio.

Antônio Ximenes, membro do Conselho Regional de Economia do Pará (Corecon-PA), observa alguns fatores que influenciaram no aumento da venda de veículos, como a queda no desemprego (que hoje está em torno de 6,5% e 7% no Brasil), o crescimento da renda real do consumidor, que se deve à queda nas taxas de juros e à renúncia - durante quase dois anos - do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros. Além disso, afirma que houve uma política de venda das empresas e foram esticados os prazos de financiamento dos bancos, fazendo com que as pessoas com renda mais baixa passassem a ter acesso aos veículos.

Ele orienta que quando se toma a decisão de adquirir um veículo novo ou usado, seja à vista ou financiado, desde o primeiro momento é preciso ter cautela, brigar pelo menor preço e sempre comparar preços. 'Durante a negociação, é melhor não demonstrar estar ansioso. O vendedor vai se esforçar para realizar o negócio sem oferecer desconto, porque sua comissão depende não somente do preço final do veículo, mas também da margem de lucro para a concessionária. Por isso, para manter o preço cheio ele oferece gratuidades como acessórios, licenciamento de placa, entre outros. Se a estratégia do vendedor não funcionar e perceber que o cliente vai procurar o concorrente, ele recorre ao gerente para obter desconto. Então, o consumidor tem que pechinchar sempre o preço, procurar pelo menos três pontos de venda e, de preferência, verificar marcas diferentes, depois retornar com o vendedor e fazer a negociação', aconselha o economista.

Entre o veículo novo e usado, a melhor escolha ainda a ser feita é pelo primeiro devido à conservação, garantia e segurança no negócio. Além disso, os veículos usados comprados com financiamento costumam ter taxa de juros maiores que os novos e o custo de manutenção também.

Mas se por algum motivo a pessoa resolver negociar um veículo usado, ele dá uma dica: 'Se a pessoa não conhece um veículo e não sabe quando este está ou não em bom estado de conservação, é necessário pedir ajuda para alguém que saiba para não assumir uma dívida e o carro não funcionar bem. Muitas vezes, a renda não permite pagar a prestação e o custo de manutenção. Por isso, todo cuidado é pouco sobre a origem do veículo; há uma série de fatores mecânicos a serem observados. O melhor é comprar de alguém que o consumidor conhece e sabe melhor sobre o histórico do veículo, para evitar ter surpresas desagradáveis'.

Cliente precisa escolher forma de pagar

Outro ponto importante que nem sempre é bem explicado ao cliente na hora da compra são as formas de venda a prazo. Hoje elas são feitas em leasing e crédito direto ao consumidor (CDC). O leasing é uma modalidade de aluguel com opção ou não de compra do veículo pelo cliente no momento da liquidação do contrato. Entretanto, no caso de contratos de transação com veículos, o que seria valor de aluguel passa a ser valor de parcela do valor total do veículo acrescido de taxa de juros. O CDC é outra modalidade de venda que existe entre a concessionária e cliente, um banco, que repassa o valor do veículo à concessionária e o financia em parcelas para o cliente, cobrando taxa de juros. 'Quanto à questão de parcelamento e taxa de juros entre ambas quase não há diferença a não ser a taxa de juro, que no caso do Leasing o risco financeiro do financiamento é considerado menor para o banco', explica Antônio Ximenes.

Com relação à liquidação antecipada do contrato há grande diferença entre o CDC e leasing. 'No primeiro, caso o cliente queira liquidar o contrato antecipadamente os juros incidentes sobre as parcelas a vencer sofrerão abatimento significativo. No leasing, o valor dos juros incidentes sobre o saldo devedor das parcelas futuras não sofrerão nenhum abatimento'.

Ainda a respeito da taxa de juros, o conselheiro do Corecon alerta que é importante o consumidor ficar atento para não levar 'gato por lebre'. 'Quando o vendedor fala em taxa de juros ele já está deixando de informar uma série de valores que incidem sobre o total a ser desembolsado: Imposto Sobre Operação Financeira (IOF), Taxa de Cadastro (TAC), registro de contrato de alienação fiducionária, entre outros', revela o economista.

Atenção deve estar redobrada também para a taxa de jurosdos bancos. Entre eles pode haver diferença significativa, além do mais, as concessionárias têm liberdade para oferecer taxas diferenciadas e, nesse momento, o que faz diferença é o nível de esclarecimento do consumidor. 'Quando elas (concessionárias) conseguem repassar a maior taxa, ganham bônus dos bancos que financiam seus carros e estes bônus serão maiores quanto maior for a taxa de juros que conseguirem repassar ao consumidor', esclarece.

Facilidade fez usados desvalorizarem, diz presidente da Assovepa

Segundo o presidente da Associação de Veículos do Pará (Assovepa), Claudionor Moreira da Costa, os preços dos carros novos no mercado paraense, que oferece dezenas de marcas e modelos, variando dos carros populares aos de luxo, estão entre R$ 25 mil e R$ 180 mil. Já os veículos usados custam hoje entre R$ 12 mil e R$ 100 mil.

Além dos impostos de circulação, como IPI e ICMS, nos preços estão incluídos ainda os impostos fixos que as empresas têm que recolher ao final da transação.

Com as facilidades do mercado para comprar veículos novos e pelo volume de oferta do usado, este setor apresenta queda de 20% no Pará, informou Claudionor Moreira da Costa.

'Quem precisa trocar seu veículo enfrenta dificuldades na hora de vender porque os usados têm sofrido desvalorização e o preço despencado mês a mês. Em compensação o preço do zero quilômetro tem se mantido e até baixado. Há pouco tempo, as vendas na quantidade de novos e usados era de 3,5 usados para 1 novo. Hoje está em 1,5 usado para 1 novo', disse o presidente da Assovepa.

Quanto maior o prazo de financiamento, mais se paga pelo bem

Muitas vezes na hora de comprar um veículo o consumidor está ansioso, preocupado apenas que a parcela caiba no seu orçamento e não percebe que quanto maior for o prazo, maior serão os juros a serem pagos sobre o valor real do veículo.

Geralmente, só vai se dar conta disso quando já assumiu o compromisso e não tem mais como voltar atrás.

Acaba, então, pagando dois ou mais veículos novos e no final do contrato está com objeto que tem baixo valor no mercado ou servirá para ele dar de entrada em um outro veículo assumindo nova dívida.

O melhor é evitar manter parcelas por muitos anos. 'Os longos prazos pura ilusão, porque os juros são exponenciais e se multiplicam. Se diminuir as parcelas, o valor fica mais compatível'.

Consórcios - Para quem consegue segurar a ansiedade e não tem pressa para obter um veículo, a melhor e mais inteligente opção é entrar em um consórcio. 'A pessoa adquire um bem sem muito sacrifício e não paga taxa de juros, somente taxa de administração. Isto depende da administradora e há várias no mercado e valores bem em conta no mercado. A flexibilidade no consórcio é enorme, o valor você ainda pode reverter em outros bens ou acumular o dinheiro e fazer uma poupança ao final. A maioria das pessoas não gosta porque se deixa levar pelo impulso, pela publicidade e não quer esperar para adquirir um bem de forma mais inteligente', disse o conselheiro Antônio Ximenes.

sábado, 23 de julho de 2011

Exterminadores de Sonhos e Vidas

EXTERMINADORES DE SONHOS E VIDAS

MANIFESTO CONTRA A REDUÇÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO FEDERAIS NO TAPAJOS

Não creio que o tempo

Venha comprovar

Nem negar que a História

Possa se acabar

Basta ver que um povo

Derruba um czar

Derruba de novo

Quem pôs no lugar

(Gilberto Gil)

No mundo da opressão, da truculência, do neototalitarismo, do mercado, do consumo, do capital, a irracionalidade é soberana. O fim dos tempos não é força de expressão, é literal. O fim da história deixa de ser teoria liberal para representar o fim da humanidade. São os exterminadores de sonhos e de vidas.

Madeira, Araguaia, Tocantins, Xingu, Teles Pires, Jamanxin, Tapajós, não são mais rios. São fontes energéticas para as grandes empresas, indústrias, mineradoras. São fontes de dinheiro fácil e certo, recursos públicos para empreiteiras. São fontes de poder, conchavos, acordos espúrios que alimentam governos, empresários e políticos corruptos.

O Complexo Hidrelétrico do Tapajós, projeto que engloba a construção de 05 grandes barragens nos rios Tapajós e Jamanxin, Estado do Pará, apresentado pelo governo brasileiro em 2009, entre outros danos alagará mais de 200 mil hectares de florestas preservadas, localizadas em Unidades de Conservação Federais e Terras Indígenas.

Os técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) realizaram análise sobre o projeto apresentado pelo governo, e informaram através do Memorando nº31/2011 que “O projeto apresentado não indica nenhuma medida mitigadora, ou faz referencia sobre quais as providências que serão tomadas em relação à vegetação e a fauna que serão atingidas pelo alagamento”.

A genial saída que o governo encontrou para poder inundar Unidades de Conservação que legalmente não podem ser afetadas, algumas destas criadas há quase 40 anos, é emitir uma Medida Provisória reduzindo o tamanho destas áreas. Assim, como num fantástico passe de Leon Mandrake, o problema desaparece. Cômico ou trágico?

Em nome de um desenvolvimento autofágico o governo brasileiro, desvairadamente, alucinadamente, segue com seu plano de barrar os rios, obstaculizando a vida na Amazônia. Não existem considerações técnica ou parâmetros jurídicos que o faça recuar desta insanidade.

Com tudo isso, nos manifestamos contra a redução no tamanho das Unidades de Conservação no Tapajós, locais que contribuem com a vida e o futuro de ribeirinhos, indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores, povos das zonas rurais e urbanas. Exigimos que o governo brasileiro abandone completamente este projeto de destruição e morte, que apenas beneficiará os donos das grandes industrias, empreiteiras e mineradoras, e incrementará o caos social e ambiental na região.

Acreditamos que a saída para os povos do Tapajós é continuar resistindo. Lutando pela vida dos rios, da floresta, pelas suas próprias vidas, de seus pais, de seus filhos. Mostrando que o fim da história ainda não chegou, pois o fim da história é a felicidade para os seres humanos, e não para o mercado e o lucro econômico.

Itaituba, Santarém e Belém, 15 de julho de 2011

ASSINAM ESTA NOTA:

- Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC)

- Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG)

- Associação Indígena Tembé de Santa Maria do Pará (AITESAMPA)

- Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (AEBA)

- Associação dos Concursados do Pará (ASCONPA)

- Comissão Pastora da Terra (CPT/PA)

- Conselho Indigenista Missionário Regional Norte II (CIMI)

- Comitê Dorothy

- Companhia Papo Show

- Coletivo de Juventude Romper o Dia

- Central Sindical e Popular CONLUTAS

- Diretório Central dos Estudantes/UFPA

- Diretório Central dos Estudantes/UNAMA

- Diretório Central dos Estudantes/UEPA

- Federação de Órgãos para Assistência social e educacional (FASE - Amazônia)

- Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP)

- Fundação Tocaia (FunTocaia)

- Fórum da Amazônia Oriental (FAOR)

- Fórum Social Pan-amazônico (FSPA)

- Fundo Dema/FASE

- Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB)

- Instituto Amazônia Solidária e Sustentável (IAMAS)

- Instituto Universidade Popular (UNIPOP)

- Instituto Amazônico de Planejamento, Gestão Urbana e Ambiental (IAGUA)

- Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Estado do Pará (MMCC-PA)

- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

- Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

- Movimento Luta de Classes (MLC)

- Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura

- Movimento Hip-Hop da Floresta (MHF/NRP)

- Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)

- Partido Comunista Brasileiro (PCB)

- Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU)

- Rede de Educação Cidadã (RECID)

- Rede de Juventude e Meio Ambiente (REJUMA)

- Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)

- Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (SINTSEP/PA)

- Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN)

- Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Gestão Ambiental do Estado do Pará (SINDIAMBIENTAL)

- Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Belém e Ananindeua

- Assembléia Nacional dos Estudantes - Livre – ANEL Santarém

- Rede de Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazônia (RMERA)

- Instituto Humanitas

- Movimento Xingu Vivo para Sempre

- Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade

- Associação de Agricultores e Agricultoras da Volta Grande do Xingu

- Associação dos agricultores e Ribeirinhos do PDS Itatá

- Mutirão Pela Cidadania

- Movimento Negro da Transamazônica e Xingu

- Intersindical/Brasil

- Movimento Estudantil Contraponto

- MLP/Resistência Urbana

- Sindicato dos Trabalhadores Públicos em Previdência, Saúde, Trabalho e Assistência Social no Estado do Pará – SINTPREVS-PA

- Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará - SINTEPP

- Mandato da Senadora Marinor Brito (PSOL/PA)

- Mandato do Deputado Estadual Edmilson Rodrigues (PSOL/PA)

- Circulo Palmarino

- Associação dos Sambistas do Pará

- Instituto Madeira Vivo (IMV)

- Pastorais Sociais da Diocese de Santarém e a CPT Santarém

- Terra de Direitos

- APA-TO - Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins

- ABO - Associação Brasileira dos Ogãs

- AOMT BAM - Associação das Organizações das Mulheres Trabalhadoras do Baixo Amazonas

- AART -AP - Associação de Artesãos do Estado do Amapá

- ACANH - Associação de Comunicação Alternativa Novo Horizonte

- ADCP - Associação de Divisão Comunitária e Popular

- AGLTS - Associação de gays, lésbicas e transgêneros de Santana

- AMQCSTA - Associação de Moradores Quilombolas da Comunidade de São Tomé do Aporema

- AMAP - Associação de Mulheres do Abacate da Pedreira

- AMVQC - Associação de Mulheres Mãe Venina do Quilombo do Curiaú

- APREMA - Associação de Proteção ao Riacho Estrela e Meio Ambiente

- AEM - Associação Educacional Mariá

- ASSEMA - Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão

- APACC - Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes

- ACUMNAGRA - Associação Sociocultural de Umbanda e Mina Nagô

- Encanto - Casa Oito de Março - Organização Feminista do Tocantins

- CEDENPA - Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará

- CENTRO TIPITI - Centro de Treinamento e Tecnologia Alternativa Tipiti

- CPCVN - Centro Pedagógico e Cultural da Vila Nova

- CPDC - Centro Popular pelo Direito a Cidade

- CJ-PA - Coletivo Jovem de meio Ambiente do Pará

- COMSAÚDE - Comunidade de saúde, desenvolvimento e educação

- CONAM - Confederação Nacional das Associações de Moradores

- COMTRABB - Cooperativa de Mulheres Trabalhadoras da Bacia do Bacanga

- COOPTER - Cooperativa de Trabalho, Assistencia Técnica, Prestação de Serviço e Extensão Rural

- FAMCOS - Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém

- FECAP - Federação das Entidades Comunitárias do Estado do Amapá

- FECARUMINA - Federação de Cultos Afroreligiosos de Umbanda e Mina Nagô

- FÓRUM CARAJÁS - Fórum Carajás

- Fórum dos Lagos - Fórum de Participação Popular em Defesa dos Lagos Bolonha e Água Preta e da APA/Belém

- FMS BR-163 - Fórum dos Movimentos Sociais da Br 163 Pa

- GHATA - Grupo das Homossexuais Thildes do Amapá

- GMB - Grupo de Mulheres Brasileiras

- ISAHC - Instituto de Desenvolvimento Social e Apoio aos Direitos Humanos Caratateua

- IMENA - Instituto de Mulheres Negras do Amapá

- EcoVida - Instituto ECOVIDA

- ISSAR - Instituto Saber ser Amazônia Ribeirinha

- ITV - Instituto Trabalho Vivo

- SNDdeN - Irmãs de Notre Dame de Namur

- MMM - AP - Marcha Mundial das Mulheres

- MSTU - Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Urbano

- MMIB - Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém

- MOEMA - Movimento de Mulheres Empreendedoras da Amazônia

- MOPROM - Movimento de Promoção da Mulher

- MRE - Movimento República de Emaús

- Mulheres de Axé - Mulheres de Axé

- SINDOMESTICA - Sindicato das Empregadas Domésticas do Estado do Amapá

- STTR/STM - Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém

- SINDNAPI - AP - Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical

- STTR MA - Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais

- SDDH - Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos

- UFCG - União Folclórica de Campina Grande

- CPT Santarém

- Diretório Acadêmico Honestino Guimarães - Fundação Santo André (S.P)

- Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade da BR 163 e Transamazônica

- Movimento Tapajós Vivo

- Aliança em Defesa dos Rios da Amazônia

- Rede Emancipa - Movimentos Social de Cursinhos Populares

- Juntos! Juventude em luta.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

PAC em Altamira: Aceleração do crescimento da violência e da pobreza

E o governo ainda planeja construir 182 usinas hidrelétricas em toda Amazônia brasileira.

Por Renata Pinheiro

Clique aqui e leia o artigo na íntegra publicado no blog do Movimento Xingu Vivo, em 15/07/2011.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mortes no campo terão prioridade para Justiça

Por: Cleide Magalhães

Reportagem publicada nos jornais O Liberal e Amazônia, em 13/07/2011.

Para ajudar a diminuir a sensação de impunidade que envolve a sociedade paraense, cerca de 180 inquéritos e processos ocorridos entre 2001 até ontem, relacionados a homicídios de trabalhadores rurais no Pará, deverão ser concluídos ainda este ano possibilitando com que os acusados sejam julgados.

A definição foi tomada nesta quarta-feira, 13, pelo procurador Geral de Justiça no Pará, Antônio Eduardo Barleta de Almeida, durante reunião com o ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, o qual participa de uma série de reuniões da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo em Belém e Castanhal. Para o cumprimento da decisão, o procurador Antônio Eduardo vai baixar recomendação aos promotores de Justiça no Estado, para que eles dêem atenção especial à situação.

O ouvidor agrário nacional ressaltou também que o procurador Geral de Justiça no Pará designa promotores de Justiça para atuar com exclusividade nas Varas de Marabá, Altamira, Santarém e Castanhal, a partir de outubro deste ano, quando terminam o curso de especialização em Direito Agrário, exigido pela Constituição do Pará aos juízes que vão atuar nas áreas em que há titularização de terras.

Fóruns

O desembargador Gercino José da Silva Filho esteve em reunião ainda no gabinete da vice-presidente do Tribunal de Justiça do Pará, desembargadora Eliana Abufaiad. Participaram representantes do TJPA, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério Público Federal, Procuradoria Federal da República e Governo do Estado. Entre os nove pontos tratados ficou definido, de forma unâmine, que serão construídos Fóruns Agrários em Marabá, em 2011, e Altamira, ano que vem, reunindo vários órgãos agrários; será designado um magistrado para atuar com exclusividade na Vara de Redenção, a partir de outubro e terá a instalação de Vara Agrária de Paragominas, em 2013.

Além disso, haverá em outubro de 2011 mutirão para julgar os processos feitos pelo TJPA referentes aos homicídios de trabalhadores rurais ocorridos no Estado, que são acompanhados pela Comissão de Monitoramento das Ações Penais Decorrentes dos Conflitos Fundiários, com apoio do CNJ e Ouvidoria Agrária Nacional.

Prisão

Foi verificado ainda o andamento do pedido de prisão formulado pelo MP referente ao suspeitos pelos homicídios dos trabalhadores rurais José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva (foto à direita), ocorridos no projeto de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) chamado de Praia Alta/Pinheira, em Nova Ipixuna, em 24 de maio deste ano. "A Secretaria de Segurança Pública pediu nova decretação da prisão preventiva dos acusados. O juiz criminal de Marabá deverá decidir a prisão ou não dos suspeitos de terem cometido os assassinatos", informou o ouvidor.

Ibama

Em outra reunião, no gabinete do Superintendente Regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará, Sérgio Moriyuki Suzuki, foram avaliadas a reestruturação do órgão em Altamira, que deverá ter mais servidores. Uma portaria será expedida para vincular o escritório do Ibama de Anapu ao de Altamira, a fim de facilitar as atividades quanto atuação do órgão em Anapu.

Nesta quinta, 14, e sexta, 15, o ouvidor realiza mutirão fundiário em Castanhal envolvendo 10 processos de reintegração de posse para serem cumpridos no município.

"A finalidade de a Ouvidoria Agrária Nacional vir ao Pará é aproximar os trabalhadores rurais dos órgãos competentes e ajudar a resolver questões que ajudem a diminuir a violência no campo e conflitos agrários no Estado. Após as reuniões, vamos elaborar relatórios que serão encaminhados aos ministérios e presidência da República. Quando necessário, fazemos pedidos para que providências sejam tomadas", disse o ouvidor.

Pará dá passos para a inclusão social

Por: Cleide Magalhães

O Pará tem em torno de 16 mil pessoas com deficiências ou que tenham mobilidades reduzidas, das quais 6 mil estão somente em Belém, estima o Ministério do Trabalho. Um dos maiores problemas enfrentados por elas ainda é estarem excluídas do mercado de trabalho, embora haja lei de cotas que busque garantir esse direito.

Para ajudar a minimizar a questão, entidades empresariais do Estado e do Sistema S, e a Associação para a Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape) em Belém mantém protocolo de intenções do projeto "Inclusão por Capacitação". O projeto busca inserir no mercado de trabalho pessoas com deficiência em cumprimento à lei de cotas, a qual prevê que empresas que têm de 101 até 200 funcionários devem garantir 1% das vagas aos deficientes; as que possuem de 200 a 300, 2%; de 300 a 500, 4%; e a partir de 1 mil devem empregar 5% de pessoas deficientes. Dentro desse contexto, o protocolo visa articular a capacidade técnica e operacional das entidades participantes, no âmbito de suas respectivas competências.

Avape

A Avape Belém é ligada à Avape nacional, uma entidade filantrópica de assistência social que atua no atendimento e na defesa de direitos, promovendo a inclusão, a reabilitação e a capacitação de pessoas com todo tipo de deficiência. Desde sua criação, há dois anos, a Avape

Belém contava, em abril deste ano, com 345 associados, dos quais 85 foram reabilitados, 139 capacitados e somente 22 inseridos no mercado de trabalho. "A maior parte dessas pessoas não tem a qualificação devida para ser inserida no mercado de trabalho e exercer a sua cidadania. O protocolo é um passo importantíssimo para que essa população que está à margem da sociedade seja inserida de alguma forma. Nada como poder ter isso por meio do trabalho. Com essa aliança todos ganham, principalmente, esse cidadão brasileiro", ressaltou a presidente da Federação Nacional das Avapes (Fenavape), Sylvia Cury.

Uma das instituições que ajuda a Avape na mobilização é a Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa). Para seu presidente, Carlos Xavier, a ideia é ampliar a ação. "Queremos ampliar esse movimento para toda a população paraense, em especial aos deficientes, que merecem atenção maior da sociedade. Por isso, nos reunimos em parcerias para ajudar a diminuir a situação dessas pessoas, através de capacitação e inserção delas no mercado de trabalho em qualquer atividade fechando o ciclo. Inicialmente, as entidades assinam o protocolo. Depois vamos estender a solicitação de apoio ao Governo do Estado e às prefeituras".

Protocolo

No protocolo de intenções as obrigações dos participes são intercambiar informações, documentos de apoio técnico-institucional, necessários à capacitação profissional e inserção no mercado de pessoas portadoras de deficiência; estimular, junto às empresas, a formulação de programas de reabilitação que objetivem a criação de vagas de trabalho e implantação de cursos de capacitação para pessoas portadoras de deficiências no Pará; acompanhar e avaliar, constantemente, a execução das ações a serem desenvolvidas; incentivar os partícipes de políticas que visem a capacitação de pessoas com deficiência, por meio de programas de reabilitação, capacitação e inclusão e dar publicidade às ações advindas do ajuste.

Deficiência

Em nível de Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000, mostram que existem cerca de 28 milhões de pessoas no Brasil, ou 14,5% da população total. Desses, 8,3% possuem deficiência mental, 4,1% física, 22,9% motora, 48,1% visual e 16,7 possuem deficiência auditiva. Segundo estimativa do Ministério da Educação, 30% das deficiências são causadas por doenças em geral, 20% problemas congênitos, 20% desnutrição, 7% acidentes domésticos, 5,5% acidentes de trânsito, 2,5% acidentes de trabalho e 15% por outras causas.

Entidades

As entidades empresariais que assinaram o protocolo foram a Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa), Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Federação do Comércio do Estado do Pará (Fecomércio), Associação Comercial do Pará (ACP). As do Sistema S foram Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Pará (Senai), Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Nacional de

Aprendizagem Comercial (Senac) e Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (Sebrae).

Serviço:

A Avape Pará fica na travessa Rui Barbosa, 478, entre as ruas Manoel Barata e Ó de Almeida. Mais informações: (91) 3222-4705. www.avape.org.br